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Teatro da Reitoria faz 60 anos com público de 100 mil por ano

Projeto pelo modernista Rubens Meister, teatro foi casa da música clássica e recebeu shows históricos

  • Sandro Moser
  • 11/10/2018
  • 07:47
Teatro da Reitoria faz 60 anos com público de 100 mil por ano O Teatro da Reitoria completa 60 anos. Fotos: Leticia Akemi / Gazeta do Povo.
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No próximo dia 17 de outubro, o Teatro da Reitoria completa 60 anos de história. No mesmo dia, o Coro da Universidade Federal do Paraná (UFPR) vai iniciar uma temporada de apresentação de quatro noites, sempre às 20h30. A entrada para cada apresentação é um litro de leite longa vida ou uma lata de leite em pó. 

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Tanto o grupo vocal quanto o teatro nasceram no mesmo dia, seis décadas atrás. Assim como todo o complexo da Reitoria e o Hospital Universitário. Na inauguração do teatro em 1958 esteve presente o presidente Juscelino Kubistchek para ouvir a Orquestra de Câmera da Rádio do MEC, sob regência de Alceo Bochino, e o Coral da Universidade Federal do Paraná, sob a regência do maestro Mário Garau. O maestro Garau será homenageado nas apresentações do Coro da UFPR no aniversário do local.

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Com capacidade para 700 pessoas, o Teatro da Reitoria, como o conhecemos, é um projeto do arquiteto curitibano Rubens Meister, também autor de outros marcos referenciais da cidade como aponta o professor de arquitetura Claudionor Beatrice, da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR).

Estudioso da obra de Meister, Beatrice vê no projeto do Teatro da Reitoria qualidades semelhantes em outras obras de vulto do arquiteto falecido em 2009 como o Teatro Guaíra, a Rodoferroviária, o Centro Politécnico, o Sesc da Esquina e o prédio da Caixa Cultural.

A obra, porém, originalmente estaria a cargo do arquiteto David Xavier de Azambuja, paranaense formado na Escola de Belas Artes do Rio. Um dos grandes arquitetos modernistas no pais, Azambuja liderou o projeto da construção do Centro Cívico do Paraná.

Azambuja foi aprovado em primeiro lugar no concurso público para a construção da Reitoria. Ele projetou os edifícios e o pátio interno da Reitoria, mas no lugar do teatro, projetou um auditório menor, com característica de aula magna e não a de teatro com possibilidades de receber produções artísticas.

Veja a foto do projeto original abaixo:

 

“O complexo da Reitoria era um programa amplo para pouco espaço. O auditório ficou pequeno para o padrão que ali se esperava”, conta Beatrice.

Então, por interferência das autoridades lhe foi sugerido que se usasse o projeto do segundo colocado, Meister, que era já um especialista reconhecido na construção de teatros e cinemas.

De porte médio, foi pensado para ter um tamanho intermediário entre os vizinhos Guairinha e Guairão, desenhados pelo mesmo Meister anos antes.

Música clássica e Momento 68

Segundo estimativas do UFPR, o teatro recebe um público anual de 100 mil pessoas. Além das peças teatrais e musicais que são montadas durante o ano todo, o local também tem atividades oficiais, formaturas, assembleias, congressos, simpósios, aulas inaugurais.

Para entidades privadas, o Teatro da Reitoria pratica uma política de aluguel da sala. A agenda é aberta com um ano de antecedência e as datas são atendidas observando-se o critério de ordem cronológica de solicitação.

Segundo o pró-reitor de Cultura da UFPR, Leandro Gorsdorf, que administra o espaço, durante seus primeiros anos o teatro funcionou como um auditório. “Ele foi a casa da música erudita em Curitiba. Servia como sede Instituto Pró Musica (espécie de sociedade de aficionados que promoviam concertos em Curitiba) e recebeu seus principais concertos”, disse. Tanto é verdade que uma das primeiras placas penduradas nas paredes do prédio foi colocada na ocasião da morte do maestro Heitor Villa-Lobos, em novembro de 1959.

Nos anos 1970, muitos shows históricos de samba aconteceram ali como dos grupos Demônios da Garoa, Fundo de Quintal e Dona Ivone Lara. Dois espetáculos teatrais marcaram época, uma montagem de Esperando Godot, dirigida por Antunes Filho com Bibi Ferreira no elenco. 

O outro foi o grande show de contracultura e moda Momento 68. Patrocinado pela Rhodia, era uma mistura de desfiles de moda e happenings de arte, música, dança e poesia. O espetáculo tinha texto de Millor Fernandes e Carlos Drummond de Andrade, direção musical de Rogério Duprat, e contava com os atores Walmor Chagas e Raul Cortez como mestres de cerimônia, coreografias do americano Lennie Dale (que pouco depois, nos anos 70, fundaria o lendário grupo de dança Dzi Croquettes), desfile de modelos e shows musicais de Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Veja o cartaz original:

Segundo Gorsdorf, foi a partir da primeira edição do Festival de Curitiba, em 1992, que passou a ser sede obrigatória do evento.O professor destaca outra faceta histórica do Teatro da Reitoria que é ser um grande palco para manifestações políticas. ”É um lugar da liberdade dentro do ambiente de uma universidade pública que é um espaço de expressões e diversidades”. 

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