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Um passeio pelas galerias do centro de Curitiba

Antecessoras dos shoppings centers, galerias comerciais são resquícios da Curitiba antiga no centro

  • Sandro Moser
  • 15/09/2018
  • 14:07
Um passeio pelas galerias do centro de Curitiba Galerias comerciais foram os primeiros shoppings da cidade. Fotos: Letícia Akemi/Gazeta do Povo

Antecessoras dos shopping centers, as galerias comerciais são atalhos e abrigos no centro de Curitiba. Espaços com personalidade e atmosfera próprios, as galerias curitibanas são símbolo da modernização da cidade a partir da década de 1960.

Por aqui, estes locais de passagem e comércio reproduziram uma tendência arquitetônica de São Paulo e do Rio de Janeiro entre os anos 1940 e 50. Aquelas, por sua vez se inspiraram nos centros comerciais que surgiram na Europa da revolução industrial no século XIX.

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As galerias abrigam lojas de mesmo perfil: lotéricas, reformas de roupas, muitos salões de beleza, joalherias e casas de câmbio além de muitos cafés e lanchonetes.  A maior parte delas tem mais de 30 anos de idade e guardam a memória da Curitiba de seu tempo com lojas tradicionais.

O Guia da Gazeta do Povo + Clube passeou por oito delas elas na tarde do dia 13 de setembro e mostra o que as galerias têm para oferecer, além de um pouco de sua história.

Novidades na Galeria Lustoza

Há dois meses, o cenário do calçadão da Rua XV de Novembro mudou em sua primeira quadra. No imóvel que por 48 anos abrigou o extinto Café Haiti se instalou uma filial da lanchonete de especialidades árabes Kibe da Boca. 

“Este é um ponto ótimo da cidade. A resposta tem sido muito boa”, afirma a gerente Elizabete Burishak. Ela destaca os kibes fritos (R$ 4,60) e assados (R4 6,40) com temperos árabes como as especialidades da casa.

A nova loja serve de porta de entrada, sob as colunas redondas com revestimento metálico da galeria Lustoza, a mais antiga de Curitiba, criada na década de 1950 sob o edifício de 16 andares do mesmo nome. Quanto o empreendimento foi lançado, a rua Marechal Deodoro ainda não tinha sido alargada, o que só ocorreu nos anos 1960.

O último cyber café Galeria Ritz

A galeria liga o número 51 da Marechal Deodoro com o 172 da XV de Novembro, com uma escada para fazer a transição entre os dois níveis das principais ruas da cidade.

Entre lojas de câmbio, lotérica e salões de beleza, se destaca o Athenea, que talvez seja um dos últimos cyber cafés da cidade. Com dois computadores para acesso à internet, o café também valoriza o cliente bem informado e assina jornais como Gazeta do Povo, Tribuna e Folha de S. Paulo; e revistas de circulação nacional como Veja e Istoé, sempre disponíveis aos clientes. Além de cafés e sanduíches bons e baratos (uma cappuccino e um salgado estão na promoção por R$ 7), a casa faz um dos almoços mais concorridos do centro com preço variável que nunca passa dos R$ 20.

Monstros e bruxas na modernista Galeria Pinheiro Lima

Uma imagem do Eddie, o monstro símbolo da banda de metal Iron Maiden na vitrine da tradicional loja Let’s Rock, parece encarar as bruxas da vitrine da loja de artigos religiosos e ritualísticos Senzala na Galeria Pinheiro Lima.

A galeria liga a Praça Tiradentes com a Rua Prefeito João Moreira Garcez sob o prédio modernista do mesmo nome. A partir de 1963, a Pinheiro Lima abrigou um cinema, o Cine Gloria, que foi incendiado em 1991. O espaço foi revitalizado como um teatro e hoje se chama Cine Teatro Gloriah, porém não está com programação ativa no momento.

Sopa e chinatown na Galeria Minerva

A Minerva era uma das mais aristocráticas galerias do centro na década de 1980, abrigando a matriz da rede de salões de beleza Lady & Lord e lojas de roupas chiques. Deste tempo, só sobrou a loja San Diego. 

Hoje, o perfil do comércio e a identidade visual do espaço dão um ar chinatown à galeria. Quem destoa do cenário é a loja de produtos naturais Verde-Vitta. Nos dias frios, se formam filas para comer canja e sopa de legumes por R$ 9,50 o prato.

Pães de 35 anos na Galeria Andrade

Após 47 anos, a casa de ferragens Malek — que ficava na rua Presidente Faria, na entrada da Galeria Andrade — fechou as portas há duas semanas.

Assim, o posto de loja mais antiga da galeria ficou com a Panificadora Cancela, que parece parada em 1983, o ano em que foi fundada. “Esse ar antigo é muito mais força das circunstâncias do que nossa vontade, que era modernizar o negócio”, disse Carlos Rocha, um dos sócios.

Para dar uma ideia de como mudaram os tempos e os negócios dentro da galeria, Rocha faz contas. “No começo nós usávamos cem sacos de café para fazer pães a cada dez dias. Hoje são dez ou 12. O pessoal comprava pão no centro para levar para casa nos bairros”, disse.

 Cães, kibe e história na Galeria Tijucas

Cíntia Leal mora no Edifício Tijucas há 25 anos. Ela divide o apartamento com seus cães, a pequena Valentina, e os três da raça whippet Thunderbolt (que está cego), Spitfire e Musashi, que se animam quando chegam na Galeria Tijucas. “Adoro a galeria. É nossa sala de visitas. E a XV de Novembro e a praça Osório são nossos quintais", disse enquanto levava os cães para passear.

A galeria é a mais elegante da cidade. Todas as lojas têm uma escadaria em espiral em sua planta que levam à sobreloja (mas nem todas as lojas a valorizam. Entre as lojas mais tradicionais, como a relojoaria Wolller, com mais de 50 anos de tradição, e as lojas matriz do Kibe da Boca, uma de doces e outra de salgados árabes, destaca-se a novata Coffeterie – Cafés especiais, especializada em café da manhã e brunch.

O urso boêmio da Rua 24 horas

A galeria mais famosa da cidade – e fora dela – é a rua 24 Horas. Batizada oficialmente de Rua do Comércio, um dos cartões-postais da cidade é de fato uma galeria comercial e gastronômica entre as ruas Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco.

A Rua 24 Horas não funciona mais ininterruptamente – desde 2011 é das 8h até o último cliente –, mas abre todo santo dia. E cada vez mais com lojas voltadas à alimentação.

Entre as lojas que abriram nos últimos três anos – quando houve uma revitalização do espaço – o bar Koda, aberto há três anos e especializado em cervejas, é um dos destaques. O nome do bar foi inspirado numa história sobre ursos da raça Koda que invadiram um acampamento nos Estados Unidos e não atacaram as pessoas, mas tomaram toda a cerveja.

Daiane Queiroz, uma das gerentes do bar, disse que o público é composto por maioria de turistas. O movimento maior é no happy hour de 2ª a 6ª. Mas há movimento todos os horários. O bar tem música ao vivo de quarta a sábado e conta com 13 bicos de chopes artesanais – com destaque para o IPA da Swampe a R$ 16.

Galeria General Osório

O saguão da Galeria General Osório costuma lotar nos almoções. A oferta de especialidades é bem variada com bons restaurantes comida chinesa, italiana e brasileira. Fora do comum, é o restaurante Everest Inn, que serve comida indiana e nepalesa. Nas quintas-feira, é servida a Raajma, espécie de feijoada nepalesa feita com carne e feijão muito temperados.

Entre as lojas, o destaque é a Rocky Racoon, que vende games e cultura geek e aluga jogos de tabuleiros. Logo na entrada a Casa das Broas, onde há 21 anos Edenilson Grochowski serve broas assadas no forno a lenha para clientes fiéis a R$ 5 ou R$ 7,25 de acordo com os tamanhos.

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