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O fenômeno mundial Game of Thrones chega ao fim

Começa neste domingo (14) a oitava e derradeira temporada de Game of Thrones, série que se tornou o maior fenômeno televisivo da última década

  • Anderson Gonçalves
  • 14/04/2019
  • 08:00
O fenômeno mundial Game of Thrones chega ao fim Com uma trama cheia de intrigas, sangue e reviravoltas, Game of Thrones conquistou uma ampla base de fãs. Foto: Helen Sloan/HBO.

Oito anos atrás, quando foi ao ar o primeiro capítulo de Game of Thrones, a relação do público com as séries era bem diferente. A Netflix começava a se consolidar, mas nem de longe oferecia as dezenas de séries cujas temporadas podem ser devoradas de uma só vez. Muitos espectadores ainda estavam sob a ressaca de Lost, que começou como um fenômeno de audiência, perdeu fôlego e, em 2010, frustrou seus fãs com um desfecho pra lá de decepcionante. Com uma trama que misturava fantasia, intrigas e violência, GOT era a nova aposta para repetir o sucesso dos sobreviventes da ilha misteriosa.

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No fim das contas, Game of Thrones acabou trilhando caminho inverso ao de Lost. A primeira temporada foi bem recebida pela crítica e teve uma média de 2,5 milhões de espectadores por episódio nos Estados Unidos. Números positivos, mas nada que gerasse uma repercussão bombástica. Mas como em uma boa trama que cresce a partir de suas reviravoltas, foi com o passar dos anos que a série foi se fortalecendo. Em agosto de 2017, o último episódio da sétima temporada foi visto por 16,5 milhões de pessoas em todo o mundo, além de ser um dos assuntos mais comentados pela mídia especializada e nas redes sociais.

Neste domingo (14), a partir das 22 horas, a expectativa é de que um número ainda maior de pessoas estejam sintonizadas no canal HBO para assistir à estreia da oitava e última temporada, que encerra aquele é o maior fenômeno televisivo dos últimos anos. Serão apenas seis episódios, que prometem novos recordes a Game of Thrones, que até aqui acumula marcas históricas de audiência e premiações. Mas, afinal de contas, o que fez dela, mais do que uma série, um marco da cultura pop?

O começo e a ascensão

Tudo começou em 1996, quando o escritor norte-americano George R.R. Martin lançou A Guerra dos Tronos, primeiro livro daquela que, inicialmente, seria uma trilogia de fantasia intitulada As Crônicas de Gelo e Fogo – já são cinco volumes e a previsão de lançamento de mais dois. De forma resumida, a história narra uma guerra dinástica entre várias famílias pelo controle dos Sete Reinos. Com um universo de centenas de personagens, criaturas monstruosas, batalhas sangrentas, traições e reviravoltas, a obra ganhou muitos fãs e logo atraiu os olhares de produtores de TV e cinema.

Após muitos rumores, em 2005 os escritores e roteiristas David Benioff e D.B. Weiss adquiriram os direitos sobre a obra. Em entrevista à Variety, eles contaram que Martin foi convencido depois que eles responderam corretamente à pergunta: “quem é a mãe de Jon Snow [um dos principais personagens da história]?” Com o sucesso à época da franquia cinematográfica O Senhor dos Anéis, aliada à paixão dos fãs das Crônicas de Gelo e Fogo, a HBO viu ali a oportunidade de oferecer algo diferente do que havia sido feito até então: uma série de fantasia, porém, com toques de realismo e voltada para o público adulto.

Além de entrar como um dos produtores, George R.R. Martin também escreveu alguns dos episódios da série. Os fãs literários aprovaram de imediato e, logo, a produção foi conquistando também aqueles que não conheciam a obra original. A partir dali, a produção decolou. Em 2012, sua base de fãs foi designada pela revista Vuture como “a mais fiel”, superando os célebres fã-clubes de Star Wars e Star Trek. Em 2013, eram 5,5 milhões de fãs da série engajados nas redes sociais.

O sucesso foi tamanho que trouxe um efeito negativo. Como a série é exibida com exclusividade em um canal por assinatura, a solução encontrada por muitos foi baixar ilegalmente os episódios. Em 2016, o site TorrentFreak classificou Game of Thrones como o programa de TV mais pirateado do planeta. O capítulo final da sexta temporada foi compartilhado por nada menos que 350 mil canais piratas simultaneamente. Outro problema eram os spoilers. Diante das reclamações e brigas entre os fãs que adiantavam detalhes da trama, a HBO tomou a decisão de exibir os episódios simultaneamente no mundo todo. O segundo episódio da quinta temporada, em 2015, foi exibido ao mesmo tempo em 173 países e territórios, a maior transmissão simultânea realizada até hoje.

Blockbuster para TV

Professora de Estudos de Mídia da Universidade de Michigan e autora do livro We Now Disrupt This Broadcast: How Cable Transformed Television and the Internet Revolutionized It All (“Interrompemos agora essa transmissão: como a TV a cabo transformou e a internet revolucionou tudo”, em tradução livre), Amanda Lotz afirma que, com Game of Thrones, a HBO mostrou que é possível fazer blockbusters para televisão. Mas não há uma fórmula mágica. “As chances de sucesso são maiores quando se faz séries que dialogam especificamente com experiências culturais ou gostos particulares”, diz.

A devoção crescente dos fãs também surpreende por GOT ainda ser um exemplar de séries à moda antiga, em que o espectador precisa aguardar um dia e hora específicos para assistir ao novo episódio, na contramão da comodidade do streaming. “Serviços como Netflix e Amazon Video têm consumidores no mundo todo, podem atuar como produtores e distribuidores de seus conteúdos, ou negociar os direitos. É fato, porém, que nenhum deles ainda foi bem-sucedido em criar um verdadeiro blockbuster. Por exemplo, Marco Polo, da Netflix, tinha uma temática com apelo a audiências de todo o mundo. Mas nunca emplacou”, observa Amanda.

David Benioff acredita que, entre as razões que fazem com que a série tenha tanto sucesso, estão a força dos personagens e a imprevisibilidade da trama. “Você fica tão envolvido com os personagens, se afeiçoa tanto a eles, e então essas coisas horríveis acontecem com eles. Quando [o personagem] Ned Stark morre, isso te deixa muito tenso. Quando você se dá conta que o herói morreu, tudo se torna ainda mais aterrorizante”, afirmou em entrevista ao jornal The Telegraph.

O que vem aí

“O inverno está chegando”, diz uma das frases que se tornaram referência de Game of Thrones ao anunciar cada nova temporada. Nos fóruns de discussão dos fãs, fervilham as especulações sobre o que acontecerá a partir deste domingo e como será o desfecho. Ao site The Hollywood Reporter, a vice-presidente da HBO, Francesca Orsi, garantiu que mortes não faltarão. “Ninguém do elenco havia recebido os roteiros anteriormente, e, um por um, eles começaram a chorar pelas mortes. Ao fim, nas últimas palavras do roteiro final, as lágrimas começaram a ser derramadas. Então houve aplausos, que duraram 15 minutos.”

O próprio George R.R. Martin lamentou o fim da série. “Não acho que essa deveria ser a última temporada. Mas aqui estamos”, declarou na última semana ao Hollywood Reporter. Cabe lembrar que o escritor ainda pretende lançar mais dois livros da franquia. E, se serve de consolo aos fãs, a emissora está planejando novas séries derivadas de GOT. Mas, por enquanto, não há maiores detalhes sobre as histórias e previsão de lançamento.

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Serviço

Game of Thrones – 8ª temporada

Domingo (14), 22 horas, no canal por assinatura HBO e no serviço on demand HBO Go.

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