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Mocidade Azul vai usar o samba no pé para falar de união

A escola mais premiada do carnaval curitibano entrará na avenida com a temática do Ubuntu, filosofia africana que prega o respeito e a solidariedade

  • Raquel Derevecki
  • 10/02/2019
  • 20:22
Mocidade Azul vai usar o samba no pé para falar de união Ensaio da escola de samba Mocidade Azul 2019. Foto: Raquel Derevecki.

Com 23 títulos e 47 anos de história, a tetracampeã consecutiva Mocidade Azul promete um desfile inovador na Avenida Marechal Deodoro, em Curitiba. No carnaval deste ano, a escola baseou toda sua produção no Ubuntu, filosofia africana sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade. Com isso, a agremiação pretende usar o samba no pé para falar da importância da união e garante estar preparada para buscar o pentacampeonato.

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De acordo com o bailarino e cenógrafo Ricardo Garanhani, responsável pelo desenvolvimento das fantasias e carros alegóricos da escola, o tema escolhido este ano nunca havia sido escolhido para um desfile carnavalesco. “Essa filosofia mostra de maneira muito forte a cultura negra da África e a importância de aceitarmos nossas diferenças, sejam elas de cor, política ou religião. Só que é a primeira vez que entrará na avenida”, afirma. 

Para isso, foram necessárias algumas mudanças nas fantasias usadas tradicionalmente pela escola. “Não há plumas e também optamos por menos brilho”, comenta o cenógrafo, que abusou dos formatos geométricos, símbolos africanos, franjas produzidas em malha e do contraste entre o preto e o branco. “Usamos a zebra como símbolo para representar essa convivência harmônica, mas não ficaremos apenas nessas cores. A Mocidade vai mostrar na avenida uma África muito colorida”, adiantou.  

Segundo um dos diretores da agremiação, Jorge Moraes, o objetivo é apresentar o lado criativo e da África. “Tem muita coisa bonita para ver e para colocarmos em prática, principalmente a união, que é o foco do nosso trabalho”, garante. Por isso, o enredo escolhido é “Ô abre-alas que a Mocidade vai passar: o carnaval é Ubuntu, uma grande causa para sambar”.

A produção

Ao todo, cerca de 900 pessoas participam da produção deste ano. Quase 300 deles são voluntários que auxiliam na organização e na confecção dos materiais, enquanto 600 são crianças, adolescentes e adultos que estarão fantasiados na avenida. 

A técnica em saúde bucal Patricia Vanessa Raimundo, de 34 anos, é uma delas. Moradora do Rio de Janeiro, ela deixou a capital carioca para desfilar como rainha da bateria na escola de samba de sua infância. “Eu comecei aos oito anos de idade aqui na Mocidade, fui melhorando a cada ano e toda vez sinto como se fosse minha estreia. É emocionante!”, afirma a rainha, que foi convidada para desfilar no Rio, mas negou. 

Assim como ela, a curitibana Fernanda Barbosa, de 25 anos, também está animada com a performance de 2019 e acredita que fará parte da conquista de mais um título. “Eu saio do trabalho e venho todos os dias para ensaiar. Estamos nos esforçando muito e, com certeza, o resultado virá para comemorarmos”. 

Mas, independente da nota dos jurados, a agremiação já marcou uma festa para a semana posterior ao carnaval. “Toda nossa preparação deste ano mostra a realidade que existe aqui. Nossa comunidade é muito unida. Essa foi a chave para crescermos e já é motivo de muita comemoração”, afirma o presidente Altamir Jorge Lemos. 

Ensaios

Quem desejar entrar na folia antes dos dias 2 e 3 de fevereiro pode acompanhar os ensaios da Mocidade Azul todas as sextas-feiras e sábados, das 20h às 22h, e também aos domingos das 16h às 20h. Além disso, no dia 24 de fevereiro, a agremiação fará um desfile especial com fantasias em frente à sede, na Rua Waldemar Cavanha, 660- Fazendinha. A entrada nos ensaios é gratuita. 

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