Gazeta recomenda

Garçom haitiano vira DJ em nova balada de Curitiba e agita noite com set de hip-hop

Conheça o DJ Pierre, o garçom haitiano que virou DJ em um dos novos bares de Curitiba

  • Sandro Moser
  • 05/12/2018
  • 17:48
Garçom haitiano vira DJ em nova balada de Curitiba e agita noite com set de hip-hop DJ Pierre: garçom revelou um talento oculto no Wit Bar. Foto: Marcus Bonfim / Divulgação
DJ Pierre DJ Pierre

A sabedoria popular diz que nada custa mais caro do que perder uma oportunidade. Esta história que aconteceu no Wit Bar, uma das casas que abriram em 2018 em Curitiba, é um bom exemplo.

>>> Conheça as baladas que abriram em Curitiba em 2018

Era véspera do fim de semana e a casa se preparava para a noite, quando o DJ contratado cancelou a apresentação que faria. Enquanto a gerência procurava uma alternativa, o garçom Richardson Pierre viu a oportunidade. Chamou o gerente e falou: "eu também sou DJ”.

Sacou o celular do bolso e mostrou seus perfis nas redes sociais, com performances suas pilotando picapes em pistas no Brasil e no Caribe. E lá foi ele. Deu certo, a noite bombou. Foi assim que o DJ Pierre estreava oficialmente na programação da casa inaugurada na Itupava há um mês.

Como a programação da casa é bem variada, Pierre se reveza entre as bandejas e sobe ao palco numa média de duas a três vezes por mês. A próxima será neste domingo (9), a partir das 19h, com entrada livre. 

Nos sets de Pierre, há vários estilos, do pop ao eletrônico, passando pela música caribenha, mas o que ele gosta mesmo é do hip-hop. "É mais a cara da cultura negra!", conta. Um dos sócios do Wit, Eder Colaço conta que se surpreendeu com a performance de estreia do DJ, dublê de garçom. "Ele realmente agitou o bar", disse. 

Origem haitiana
Richard, como é conhecido pelos colegas, é haitiano. Ele emigrou de seu país há quatro anos, após a crise causada pela guerra civil e um terremoto em sua terra natal.

A primeiro escala foi em Quito, no Equador. Lá, ouviu falar havia muitas oportunidades de trabalho no Brasil em razão da Copa do Mundo em 2014. "A propaganda era grande. Falavam em salários altos e muitas oportunidades na hora de te vender passagem aérea e serviços de despachante de vistos", relembra. "Também li muito sobre a cidade no Google e os links diziam que Curitiba era uma das cidades mais organizadas do país".

Após pagar 400 dólares pelo visto que deveria ser expedido de graça, e de uma espera de seis meses, chegou enfim à cidade. Mas as coisas não eram tão boas assim. Técnico em informática no Haiti, aqui começou trabalhando como auxiliar de limpeza no Taj Bar, no Batel.

Tornou-se garçom na balada Shed, onde ficou por dois anos. Em meados de 2016, foi demitido. Passou os últimos dois anos sem emprego fixo. Com a falta de dinheiro, teve de trancar o curso de Engenharia Civil que fazia na UFPR. "Não tinha dinheiro nem para o ônibus e para os materiais", relembra. Sobreviveu fazendo bicos.

>>> Wit Bar abre na rua Itupava com palco, pista, bares e gastronomia 

Há um mês entrou para a equipe de garçons do Wit Bar, que é um mix de bar, restaurante e casa de shows para bandas e DJs. A princípio, não contou que já tinha sido DJ nas praias do Haiti ainda na adolescência. Mas, quando teve a chance, aproveitou-a.

No palco, DJ Pierre mostra o mesmo carisma com o qual atende os clientes com a bandeja na mão. "Quando subo no palco e começo a tocar, sou o mesmo cara que trabalha como garçom, que saiu do Haiti procurando uma vida melhor", conta. "No Brasil tem muita gente boa, com um coração enorme, que me deram oportunidades. Agradeço muito isso e acho que esta minha energia positiva conquista a todos".

Ano que vem expira o visto brasileiro de Richard. Ele conta que ainda não sabe qual rumo tomará. Ouviu falar que o Canadá está precisando de mão de obra e tem bons salários. "Vamos ver se a economia melhora e posso retomar a faculdade também. Gosto daqui", conta.

Já voltar para o país natal é um sonho distante. "A situação está muito feia por lá. Falo com minha família pelo WhatsApp e eles me deixam informado. Um dia vou voltar para visitar, mas sei que está longe o dia de as coisas melhorarem e tudo voltar ao normal. O importante é manter a alegria e a fé", resume.

Tags

8 recomendações para você

Deixe sua opinião

Mais lidas do Guia

Quem tem

tem descontos

Garanta já seu desconto