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Show do Ozzy é hoje em Curitiba: como será o adeus do madman

Turnê de despedida dos grandes shows de Ozzy Osbourne passa por Curitiba em uma apresentação que promete hits macabros e divertidos

  • Carlos Coelho
  • 16/05/2018
  • 08:30
Show do Ozzy é hoje em Curitiba: como será o adeus do madman Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

Se há algo no qual nunca se deve confiar são turnês de despedidas de grandes astros do rock. O The Who fez a sua em 1982, mas 36 anos depois continua nos palcos. O Kiss vem se aposentando desde 2000. O próprio Ozzy Osbourne, que traz para a Pedreira Paulo Leminski na próxima quarta-feira (16) sua pretensa última grande turnê mundial, a No More Tours 2, já flertou com as chuteiras penduradas há 26 anos. Mas, caso o cantor britânico siga com seu plano, Curitiba ao menos terá a chance de dar adeus ao mais carismático nome do heavy metal – e alegadamente um dos pais do gênero. É a terceira passagem do “príncipe das trevas” pela capital, desta vez para uma celebração com cara de greatest hits.

A turnê de despedida das grandes viagens, como Ozzy deixou claro em entrevista à Gazeta do Povo, deve durar até 2020. É, de certa forma, o ponto final na trajetória de um nome obrigatório na coleção de qualquer fã de música pesada. Fundador e vocalista do Black Sabbath em sua fase relevante, os anos 1970, o britânico alcançou um sucesso que poucos artistas conseguiram dentro e fora de superbandas. Expulso do conjunto em 1979 pelo abuso de drogas – o que é quase digno de uma estátua para os padrões da década –, o cantor lançou discos solo que ofuscaram os da ex-banda e rivalizaram com o que tinha produzido anos antes. Ozzy foi o criador de petardos que fazem arrepiar a nuca do mais cabeludo dos fãs, como “Crazy Train”, “Bark at the Moon”, “Mr. Crowley” e “No More Tears”.

Com o Black Sabbath e em sua carreira solo, o cantor de voz semi-anasalada foi o responsável por popularizar um som soturno, de letras místicas e sem muita pretensão. Estranhamente, letras como a de “Black Sabbath”, música que recebe o nome da banda e narra um encontro demoníaco, se tornaram amigáveis aos rádios. Anos depois, a influência pode ser ouvida em volume máximo no trabalho de bandas que vão de Iron Maiden a Pantera. Ozzy e o Sabbath, aliás, são respeitados por qualquer grupinho de camisetas pretas.

Também foi responsável por dar palco a um dos grandes guitar heroes dos anos 1980, Randy Rhoades, morto em um acidente aéreo 1982 com apenas 25 anos. Parceiro de composição e melhor amigo, Rhoads mantinha Ozzy com a pontinha da unha fora das drogas. Depois de sua morte, o cantor “saiu dos trilhos como um trem doido”.

De ícone a showman
 

Se os anos 1980 criaram um ícone, é bem verdade nas últimas duas décadas a faceta caricata do músico sobrepujou sua importância. Após anos de ostracismo, em um quase anonimato roqueiro, quando o grunge praticamente enterrou o exagero do rock pesado -- na maioria dos casos para o bem -- alguns produtores encontraram na figura decadente de Ozzy e na estranheza de sua família a sacada para um dos reality shows de maior sucesso na era pré-internet. O argumento de The Osbournes não é diferente de uma série de outros que vieram em sua esteira. No programa, veiculado na MTV no começo dos anos 2000, um Ozzy cinquentão e debilitado luta para conciliar sua agenda de shows com as dores nas costas e uma rotina de exercícios que combinariam mais com alguém na terceira idade. Carismático, Ozzy é um misto de tiozinho desbocado, pai de adolescentes estranhos e astro do rock.

Se por um lado o show praticamente substituiu a imagem de lenda do rock por uma espécie de Renato Aragão com crucifixos, trouxe sobrevida ao astro, que emplacou novos discos, todos relativamente bem sucedidos. De lá para cá, o músico gravou boas músicas, sempre acompanhado de um elenco graúdo – sua banda conta com colaboradores como Jerry Cantrell (Alice in Chains) e Zakk Wylde (Black Label Society). Nenhum dos novos álbuns, porem, foi capaz de alcançar o sucesso comercial e de crítica de Blizzard of Ozz, Diary of a Madman ou No More Tears. Muito porque os tempos mudaram até mesmo para um quase imortal Ozzy.

Em 2011, veio o esperado retorno do Black Sabbath. Se ver Tony Iommi despejando seus riffs com cara de “primeira aula de guitarra” ao lado de Ozzy era uma espécie de desejo juvenil de sua legião de fãs, já não parecia uma diversão tão macabra quanto nos anos 1970. Em 2014 a banda anunciou sua última turnê (essa aparentemente levada a sério). Foi daí uma de suas passagens por terras paranaenses, em 2016. A anterior havia sido em 2015, quando o ícone tocou para 15 mil pessoas na mesma Pedreira Paulo Leminski, no Festival Monsters of Rock.

O repertório da próxima quarta-feira não deve ser tão diferente da última apresentação solo. Os hits despretensiosos dos anos 1980 misturados aos clássicos inevitáveis do Black Sabbath, como “Iron Man” e “Paranoid”, devem dominar a apresentação. Tudo pretensamente assustador e caricato, como manda a cartilha do cara mais divertido do rock pesado.

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Prepare-se

Três discos imperdíveis

Ozzy gravou nove discos de estúdio com o Black Sabbath e 11 em carreira solo. Quer começar aos poucos? Estes são os três essenciais:

Paranoid (1970): o segundo disco do Black Sabbath, lançado apenas seis meses  após o primeiro, lançou o quarteto ao estrelato. “War Pigs”, “Paranoid” e “Iron Man” saíram dessa lavra. Não há mais o que acrescentar.

Blizzard of Ozz (1980): a volta por cima de Ozzy após a expulsão do Black Sabbath foi em grande estilo. O “madman” escancarou as portas com um ótimo disco de heavy metal/hard rock. “Crazy Train” é provavelmente sua música mais conhecida, mas vale a diversão “No Bone Movies”, “Revelation” e o bonito solo de violão de “Dee”.

No More Tears (1991): o disco que encerra a fase de ouro de Ozzy é um dos mais pesados de sua carreira, mas traz também a indefectível “Mama I’m Coming Home”, uma balada sobre a vida de um astro do rock longe de casa. Nada mais adequado para este momento.

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