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Por que a passagem do Green Day por Curitiba foi uma das “melhores de todos os tempos”

Com duas horas e meia de apresentação, power trio punk levou Pedreira Paulo Leminski aos gritos, pulos e bom e velho pogue

  • Bruna Covacci
  • 06/11/2017
  • 09:05
Por que a passagem do Green Day por Curitiba foi uma das “melhores de todos os tempos” O frontman Billie Joe Armstrong

15 mil pessoas presenciaram a passagem do power trio dos “American Idiots” na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, no domingo (05). O show enérgico foi recheado de clássicos dos mais de 30 anos de carreira do Green Day, agradando fãs de Dookie, Nimrod, American Idiot ou Revolution Radio e provou que Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool formam um dos maiores trios de rock da atualidade: perdoem-me fãs de Rush, The Police ou Cream. O Green Day entrou para a história do rock ao transformar um show punk em espetáculo, longe dos porões, mas com mosh e muito pogo. "Isso não é uma festa. É uma celebração", explicou Billie.

Gente como a gente

O show começou bem antes dos quarentões subirem ao palco. Logo na saída do aeroporto, na madrugada de sexta (03), por volta das 4 horas da manhã, o vocalista Billie Joe Armstrong e o baixista Mike Dirnt surpreenderam os fãs ao sair da van e atender todos da melhor forma possível. Os músicos tiraram fotos, autografaram CDs, camisetas e até a guitarra de um fã.

Também foi possível acompanhar a movimentação do grupo pela cidade pelas redes sociais de Tré Cool, o baterista. Logo na chegada, dentro de um carro, eles aprenderam a falar direitinho: “Curitiba”. Na chegada do hotel, o Four Points, no bairro Água Verde, mais uma parada: “Vamos dizer oi para nossos amigos”, disse o baterista no vídeo do Instagram. Em seguida ele desceu do carro e tirou selfie com os fãs.

Vivendo a cidade, os punks escolheram o restaurante italiano Barolo Trattoria para jantar e pediram massas tradicionais da casa, além de porções de camarões e filé ao molho mostarda. A segurança em volta da banda foi rigorosa à noite toda. Clientes e pessoal da casa foram mantidos a distância pelos seguranças dos astros do rock e ninguém conseguiu tirar foto com os músicos.

Aquecimento com ska

Antes de o Green Day dominar o palco, a plateia foi aquecida com o show do The Interrupters, pequena banda de ska da Califórnia. Com muita simpatia, a banda agradecia o maior público para quem já tocou, e esbanjou potencial. A vocalista Aimee Allen, cheia de danças e uma presença de palco carismática, fez o público cantar junto em “Take Back The Power” e “She Got Arrested”. Por um lado, um belo “Green Day wannabe”.  

Uma entrada pontual e punk

Já chegando perto das 19h, as caixas de som do local começaram a tocar “Bohemian Rhapsody”, do Queen, seguido de “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones, com o famoso mascote da banda, um coelho rosa completamente doido, animando a plateia. Aí o Green Day chegou.

Setlist

Sete anos após sua última visita, a banda voltou ao Brasil com a turnê do álbum Revolution Radio, mas o setlist fez um panorama dos 30 anos de carreira dos punks. Tocando hits e b-sides, o trio da Califórnia agradou tanto os fãs da velha guarda quanto os adoradores recentes, durante duas horas e meia o quando o frontman, Billie Joe, corria alucinado e pedia gritos e cantos da plateia.

A performance de Billy Joe

Durante o show, o líder da banda chamou três fãs ao palco em momentos diferentes, além de jogar camisetas no povo, encharcar as primeiras fileiras com mangueiras e se abraçar em bandeiras arremessadas no palco. Logo no começo o vocalista pediu para que o público aproveitasse o momento, o presente, ao invés de filmar com os celulares e guardar para assistir depois.

O frontman do Green Day segurou por várias vezes a bandeira do Brasil e do movimento LGBT. Cheio de gás não lembrou em nada o Billie Joe problemático e que foi parar no reabilitação há alguns anos para se tratar da dependência de álcool e das drogas.

Com algumas brincadeiras, fazia com que a plateia interagisse o tempo todo: com um quê de animador de torcida, comparava um lado da Pedreira com o outro.

Tré Cool é cool!

Não há baterista mais descolado que Tré Cool. Além da performance extraordinária, com boa música e muita expressividade, ele aparece com uma fantasia de carnaval, com um estilo Carmen Miranda, enquanto um saxofonista cita "Garota de Ipanema". Teve até um sambinha tímido na plateia. Tré Cool tem um clima de Las Vegas com ironia, tem graça.

Punk é político

O punk é atual: "Não ao racismo, não ao sexismo, não à homofobia e não a Donald Trump", disse o vocalista no meio de "Holiday", com uma bandeira do Brasil na mão. Uma grande parte do público respondeu com um coro de "Fora Temer", nessa hora, o Frontman se debruçou no palco e disse: “eu não entendo o que vocês dizem, mas posso sentir”. Como um bom punk rocker, o vocalista ainda afirmou que nós “não precisamos dos políticos”. Nos anos 1990, Billie se declarou bissexual.

#SomostodosSergio

Já era de se esperar: Billie Joe Armstrong costuma chamar alguém da plateia para tocar guitarra ao seu lado. Quem subiu ao palco dessa vez foi Sérgio, um menino de 13 anos que toca desde os 9. O vocalista disse que o garoto é um próprio “rockstar” e, ao fim da sua participação, presenteou o menino com o instrumento. He rocks.

Pirotecnia

Como um completo show, o cenário do palco mudou várias vezes. Houve fogos, pirotecnia e iluminação que merece um elogio à parte.

Bis: QUE BIS!

O primeiro retorno trouxe duas favoritas da plateia, que cantou “American Idiot” e “Jesus Of Suburbia” do começo ao fim. Na volta para o segundo bis, vem só o vocalista e o violão, terminando o show em tom melancólico, despedindo-se do público com “Good Riddance (Time Of Your Life)” – um dos clássicos de todos os tempos.

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