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Caixa Cultural de Curitiba abre seleção e deve ter show de Fafá de Belém até o final do ano

Unidade de Curitiba está contemplada para receber projetos no Programa de Ocupação dos Espaços Culturais do banco

  • William Saab
  • 10/07/2018
  • 08:00
Caixa Cultural de Curitiba abre seleção e deve ter show de Fafá de Belém até o final do ano Teatro da Caixa Cultural em Curitiba - no último ano, foram aprovados 41 projetos ligados à arte na cidade. Foto: Marcelo Andrade / Gazeta do Povo.

A Caixa abriu, no último dia 18 de junho, seleção pública de patrocínio de projetos artísticos para percorrer as cidades onde a instituição tem centros culturais. São disponibilizados R$ 39 milhões para a aplicação em projetos para os anos de 2019 e 2020. Podem ser inscritas atividades em artes visuais, cinema, dança, música, teatro e vivências.

Cybelle Radominski Demattê, gerente de marketing, comunicação e cultura da Caixa de Curitiba, conta que, desde 2008, o edital passou a ser nacional, o que permite que grupos de fora se apresentem na cidade. Ela explica que o produtor dos espetáculos interessados avalia as características técnicas de todas as unidades e escolhe aquelas que são interessantes, o que faz com que muitas atrações se inscrevam para a itinerância. “O que buscamos no edital é garantir a representatividade de todas as regiões do país, de forma que as atrações fujam dos centros mais urbanos. A proposta é buscar uma miscelânea cultural”, reforça Cybelle.

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A gerente detalha que uma comissão analisa todas as inscrições. Participam desse processo técnicos da Caixa, que avaliam os projetos em diferentes quesitos, representantes do Ministério da Cultura e da Secretaria de Comunicação da Presidência da República e também produtores especializados nos assuntos. Ela explica que todos eles ponderam as propostas e as pontuam; as que forem melhor avaliadas, são as escolhidas para ocupar os espaços da Caixa nas sete cidades. Além de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília, Recife e Salvador possuem unidades. Porto Alegre é a próxima, mas ainda sem data de inauguração.

“O que conta também é o fato do ineditismo da ação e também de serem plurais, pois priorizamos o mix de artistas consagrados com novos nomes”, destaca a gerente. No último ano, foram aprovados 41 projetos para Curitiba. A empresa acredita que iniciativas em arte e cultura podem ajudar a mudar o país e que também auxilia no fortalecimento da marca, pois essa já é uma atuação de muitos anos. “É um patrocínio direto que a Caixa faz nesses artistas”, salienta Cybelle.

As inscrições serão realizadas exclusivamente via internet por meio do preenchimento de formulário. Serão consideradas somente aquelas com preenchimento completo, finalizadas e enviadas até às 17h do dia 3 de agosto de 2018.

Os projetos deverão ser inscritos exclusivamente por pessoa jurídica ou microempreendedor individual cuja natureza/objeto social seja de finalidade cultural. Será admitida a inscrição de até dez projetos por proponente, independentemente do segmento a que pertençam ou de haver itinerância para cada um deles. A relação dos projetos selecionados será divulgada até dezembro deste ano, pela internet, no mesmo endereço eletrônico da inscrição.

Ainda para este ano, estão programadas apresentações em Curitiba de nomes como Fafá de Belém, Gero Camilo, Sambas para Cartola e Tangos Hermanos; o festival Curta 8; peças como Adeus Palhaços Mortos, Amadi e Monólogo Público; e exposições de Claudio Tozzi e a Pelos Ares. Todos aprovados no edital anterior (2018/2019).

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Histórico em Curitiba

Cybelle recorda que, no início, em 2000, o prédio onde abriga a estrutura da Caixa Cultural era bem mais modesto. Possuía apenas uma galeria e um teatro, mas não tinha todos os equipamentos necessários para um padrão técnico de excelência. Em 2004, uma grande reforma foi feita com a aquisição de uma nova aparelhagem. A reabertura, com a cantora Leila Pinheiro, é um dos grandes momentos que ela destaca na história do espaço. “Também já recebemos peças com Paulo Gullar e Nicete Bruno, shows de Elba Ramalho, Arnaldo Antunes e exposições de Tomie Ohtake, Sebastião Salgado, Portinari (uma honra), Matisse, Salvador Dali e, recentemente, os bailarinos ucranianos de Kiev dançaram em nosso palco. Nosso trabalho vem de anos e está consolidado”, orgulha-se.

Outra iniciativa da história da Caixa Cultural são as oficinas, que são abertas e gratuitas para o público. São atividades semanais bastante diversas como colagem, música clássica, maquiagem para teatro, cursos de arquitetura e cinema. Para julho, já estão agendadas oficinas de dança circular em cena, maquiagem dramática para crianças, modelagem de personagens, construção de bonecos e outras. A programação completa e inscrições estão disponível nas redes sociais da Caixa Cultural Curitiba. O espaço também conta com visitas guiadas nas galerias para alunos de escolas e instituições. Interessados devem entrar em contato pelo telefone (41) 2118-5114 ou (41) 2118-5427.

Possibilidade de privatização

A Caixa foi alvo de uma declaração polêmica do pré-candidato do MDB à Presidência da República, Henrique Meirelles. O ex-ministro da Fazenda do Governo Temer garantiu, em sabatina ao jornal Correio Braziliense, no começo de junho, que o banco está sendo preparado para privatização. Ele declarou ao jornal: “A Caixa está sendo preparada para isso, com novo estatuto e etc. Com o tempo, podemos até, sim, pensar em abrir o capital da CAIXA e começar a vender participação privada”.

Apesar da frase do pré-candidato, a assessoria de imprensa da Caixa garantiu que não há qualquer estudo ou perspectiva de alteração na atual operação da Caixa Cultural. Que, para qualquer mudança, haveria necessidade de um direcionamento, o que não aconteceu. Por hora, nada muda no cenário atual, com os processos de ocupação dos espaços mantidos conforme edital mencionado na reportagem.

Para a professora de história da arte da Faculdades de Artes do Paraná (FAP), Rosimeire Odahara Graça, a Caixa tem um papel que poucos órgãos públicos de esfera federal possuem. Para ela, uma eventual privatização seria prejudicial para a cena cultural de Curitiba. Ela explica que são duas as questões a serem consideradas: “um edital público possui uma divisão mais igualitária dos projetos. No privado, pode-se optar por menos ações, porém, de maior impacto. Por exemplo, 20 exposições com perfis sócio culturais diferentes podem dar vez a uma demanda específica, a um gosto mais restrito com apenas cinco ações”.

Outra situação que Rosimeire pontua é que estruturas privadas possuem tendências a um gosto dominantes, vinculada, muitas vezes, ao interesse do curador. “Procura-se marcar, nesses casos, uma identidade institucional, o que provavelmente diminua a pluralidade das atrações”, preocupa-se a professora. Rosimeire ainda considera um retrocesso uma possível privatização, uma vez que se corre o risco de perder um espaço de exposições diversificado, com artistas que refletem suas potencialidades. “A medida que você tira do artista esse poder de criação, a gente volta no tempo, para quando apenas o teórico tinha voz. É uma pena o artista ficar sujeito sempre a essas estruturas”, lamenta.

A mesma opinião compartilha o crítico de arte e integrante do conselho cultural do Museu Oscar Niemeyer (MON), Agnaldo Farias. Para ele, a privatização de espaços culturais tem-se revelado parcialmente danosa para a produção artística mais ousada. “A visão cultural dos responsáveis pelo marketing das empresas costuma trocar arte por entretenimento. Com isso, valoriza-se exposições mais ao gosto médio, que não puxam pela inteligência, que não demandam esforço por parte do público e que são acessíveis e agradáveis como um parque de diversões”, critica Farias. Para ele, isso compromete o papel da arte na formação intelectual das pessoas, uma vez que elas precisam de mais opções para que possam exercer suas escolhas.

Para Galciani Neves, curadora artística e professora da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e da Universidade Federal do Ceará (UFC), quando decidem fechar ou privatizar um espaço cultural é preciso acessar toda a complexidade que cerceia a relação com a instituição. “Tem que analisar como a pesquisa do artista ou do curador vai ser encaminhada, como o trabalho do produtor cultural será desempenhado e como educadores formais e não-formais terão acesso às coleções e às atividades de uma exposição”, conta. Ela ainda chama a atenção para o quanto o público perde quando a liberdade de experimentação e discussão são retiradas do embate público. “É preciso levar em conta o quanto de vivências, investigações e imersões poéticas dos profissionais serão descartadas. O que parece guiar essa dinâmica cruel é a triste lógica da catraca”, pontua.

Confira abaixo os principais eventos que a Caixa Cultural recebe até o final de julho

Show do músico Paulo Beto

Show da cantora Bia Bedran

Peça Monólogo Público

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