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“Bar dos Paraíbas”: conheça a incrível “buchada de bode” que fecha uma rua em Colombo toda segunda-feira

Bar e restaurante na região metropolitana é ponto de encontro da cultura nordestina com música e culinárias típicas.

  • Sandro Moser
  • 17/07/2017
  • 10:02
“Bar dos Paraíbas”: conheça a incrível “buchada de bode” que fecha uma rua em Colombo toda segunda-feira Bar São Francisco: a lua da segunda-feira é o prenúncio de uma noite de buchada e forró. Fotos: Hugo Harada.

Quem passa na rua Francisco Vittorio D’Agostin, no Jardim Osasco, em Colombo, numa tarde de segunda-feira, vê um logradouro calmo, com crianças brincando na calçada, vizinhos de papo no portão e comércios familiares em que confiança é mais aceita do que cartões de crédito.

Com a lua, vem a transformação. À partir da 19h, a famosa “rua dos paraíbas” é tomada por dezenas (muitas vezes, centenas! E, em dias de festas: milhares) de pessoas, mesas ocupam as vagas pra carros na calçada e a rua vira um dos principais pontos de encontro da colônia nordestina em Curitiba e região metropolitana.

O epicentro é o "Bar São Francisco", também conhecido como “Bar dos Paraíbas” que fica a exatos 13 km da praça Osório, no centro de Curitiba. Ou a 4 km da hoje famosa sede da Polícia Federal, no Santa Cândida.

Trata-se de uma mistura de boteco, restaurante e centro de cultura nordestina em que batem ponto parte do contingente de migrantes nordestinos que vive na capital e arredores, além da fiel clientela local tudo ao som de forró de “pé-de-serra”.

O último censo feito pelo IBGE, em 2010, constatou que haviam mais de 29 mil migrantes da região Nordeste vivendo por aqui. Na mesa de cacheta, na copa do Bar São Francisco, “analistas” estimaram, porém, que este número tenha crescido em, pelo menos, dez mil novos moradores.

“Sabe como é: vem um e começa a chamar os outros parentes, a dizer que ‘aqui é bom’. E eles começam a vir. Vira uma família, todo mundo se conhece e se ajuda”, explica o vendedor Paulo Róbson, um dos clientes assíduos.

O segredo da buchada perfeita

O segredo do Bar São Francisco é o carisma empreendedor de seu dono, Francisco Eclênio Duarte Martins, mais conhecido como “Nenê”. Ele, que desembarcou em Curitiba em 1994, fez de tudo um pouco até abrir o bar dez anos depois.

“A gente se aventurou e deu certo, estamos aí até hoje. Tomamos carinho pela cidade e pelas pessoas. Fomos muito bem acolhidos, aprendemos a gostar do Paraná por causa das pessoas. Hoje me sinto paraibano de origem e paranaense de coração”, diz.

É ele quem comanda, ao lado da família, a cozinha e o balcão de onde saem iguarias voluptuosas e irresistíveis pelo sabor e preço honesto: galinha caipira ensopada, carneiro guisado, baião de dois, farofa de cuscuz, vinagrete de coentro e tilápia frita à moda paraibana. 

O carro-chefe, porém é a buchada de bode.

Alquimia preparada a partir do cozimento lento das vísceras (buchos, tripas, fígados e rins) do gado caprino sertanejo. No “bar dos paraíbas” ela é preparada na mais castiça tradição paraibana. O cheiro encorpado do prato atinge a alma dos clientes saudosos como a “gotícula impalpável que suporta o edifício imenso da recordação”, sobre o qual escreveu Marcel Proust, evocando Combray, em seu livro “No Caminho de Swann”. 

Para encarar a principal iguaria do cardápio é preciso ou chegar cedo ou reservar por telefone ou pelas redes sociais. Das cerca de trinta porções, muitas já estão encomendadas com grande antecedência pelos vizinhos do bar, por clientes que passam para pegar uma marmita ou por clientes cativos ávidos pelo repasto.

A relação com a vizinhança, aliás é um capitulo à parte. Encravado em uma área residencial, o “bar dos paraíbas”, não raro fecha a rua em noites animadas, com mesas no leito carroçável e calçadas transformadas em terreiro.

“Não tem reclamação. Primeiro, por que a maioria do povo [da vizinhança] tá aqui ou tá chegando. Depois, às 23h a música acaba e todo mundo sabe que é preciso fazer silencio. Em 10 anos que eu venho aqui, nunca deu um problema”, explica o cliente José Tavares.

O ideal é visitar a casa em cinco pessoas. Assim, pode-se pedir todos os pratos em porções que fartam os comensais por menos de R$ 30 reais a cabeça.

Sempre às segundas

Nenê explica a razão das festas nordestinas acontecerem às segundas (Há uma outra buchada muito tradicional em Curitiba, na Lanchonete Moraes, na Vila Osternack, extremo sul da cidade, que também é servida às segundas-feiras).

“Boa parte dos nordestinos que vivem aqui trabalham com venda na rua, de porta em porta, como mascates. Normalmente trabalham no sábado e no domingo, e assim a folga de todos é segunda-feira. Já virou tradição”.  

Pelos mesmos motivos - a comida e o dia de folga às segundas - chefs e pessoal da equipe de cozinha de bares e restaurantes são fregueses do Bar São Francisco.

Tutorial de digestão da buchada

Sobre a buchada, uma ultima observação: é certo que a o folclore em torno do prato (comum em várias culturas europeias e africanas) e a sua corpulência real podem ferir estômagos mais sensíveis ou impressionáveis.

Para estes iniciantes, Nenê mostra o caminho certo.  “Para a buchada cair bem, é importante tomar um golinho da pinga tradicional lá da Paraíba para fazer a digestão”, ensina.“Tomando a pinga, dá pra comer a comida pesada que não da nada sem consequência triste. Só alegria depois”.

Nenê, por fim, defende o potencial afrodisíaco do prato. “Deixa o cabra mais animado. Dia destes veio aqui um senhor de 77 anos e comeu a buchada. Chegando em casa notou algo diferente e na outra semana veio para comer outra vez”. 

Buchada de Bode do "Bar dos Paraíbas" Buchada de Bode do "Bar dos Paraíbas" Buchada de Bode do "Bar dos Paraíbas" Buchada de Bode do "Bar dos Paraíbas" Buchada de Bode do "Bar dos Paraíbas" Buchada de Bode do "Bar dos Paraíbas"
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