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Depois de tour fora do país, artistas curitibanos tocam na terra natal

Turnês , shows e festivais em território estrangeiro são tendência na cena local

  • Sandro Moser
  • 10/08/2018
  • 07:26
Depois de tour fora do país, artistas curitibanos tocam na terra natal A cantora Iria Braga em Buenos Aires: o artista tem que ir onde o povo está. Fotos: divulgação.
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“Entramos na Argentina pela cidade de Clorinda por volta das 16h. Os responsáveis da Aduana evacuaram nosso veículo e examinaram meticulosamente (com estrema educação e gentileza, não podemos deixar de frisar). Tudo Ok. Agora seriam cerca de 1500Km até Buenos Aires. Fomos de um tiro. Segue o baile pelas veias abertas da América Latina. Iríamos nos apresentar num dos países mais rockeiros do mundo... E dê-lhe empanada pelo caminho, outro pen-drive se acaba, uns dormem, outros acordam, nos para a polícia, troca o motora, amanhece o dia, estamos quase chegando...”

O trecho acima é parte do diário de viagem da banda Escambau (foto acima) durante a turnê de um mês do quinteto curitbano por Paraguai e Argentina, finalizada no final do mês passado.

Assim como o Escambau, artistas importantes da cidade têm apostado cada vez mais em cair na estrada para ampliar os horizontes e colocar o trabalho à prova frente a um público novo em território desconhecido. Antes de embarcar rumo ao novo, os artistas mostram um pouco do que vão apresentar em outros território aqui mesmo, em Curitiba.

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Só nos últimos meses a cantora Iria Braga fez uma longa turnê pela Argentina, as bandas punks Sem Futuro e Dedo Podre estão na Europa onde participaram do prestigiado Rebellion Festival, festival punk em que os headliners foram T.S.O.L e Buzzcocks e o Marrakesh prepara uma turnê europeia. E há outros tantos seguindo a mesma linha.

Algo que era restrito a bandas de nicho como a banda de metal Imperious Malevolence ou os psychobilly d’Os Catalépticos (para citar duas bandas estradeiras), é cada vez mais uma opção para os artistas que querem cair na estrada.

Para Giovanni Caruso, do Escambau, estar na estrada é da natureza do artista. “É uma necessidade do artista experimentar outros públicos e apresentar o trabalho fora da zona de conforto”, disse. Antes de descer para os países vizinhos do sul, o Escambau gravou um EP com composições em espanhol. 

Na estrada crua e real 
Após uma turnê de sete datas na Argentina, que incluiu uma apresentação no tradicional clube noturno Notorius, a cantora Iria Braga destaca o ganho artístico aos se apresentar para um “público que não tem referência anterior do teu trabalho e então você recebe um feed back mais cru e real, sem elos afetivos sobre a sua música”.

Para ela, uma viagem dessa modifica o caminho e faz o artista rever o próprio trabalho. Iria vai se apresentar neste domingo (12) na casa Quatro Ventos,  “A internet dá uma falsa impressão que você está em todos os lugares. Não é verdade. Você precisa ir ate lá, estar em outro palco, sentir outro contato com as pessoas. O artista tem que ir onde o povo está”.

Ela destaca ainda outra vantagem: “vender os discos. As pessoas fazem questão de comprar”, disse.  Algo que também aconteceu com o Escambau que esgotou o estoque de discos que levou na bagagem.

Já para Daneil Cavallin, do Marrakesh, a única opção que “supre a ambição de estar entre artistas que admiramos e ao mesmo tempo prover uma estabilidade” é expandir o território. “Acho que na prática a gente realmente tenta fazer a música que gostaríamos de ouvir e trabalhar com profissionais que admiramos em outras áreas também”.

Bons momentos e perrengues 
Uma viagem internacional seja bancada pelo próprio artista, seja a convite de um contratante estrangeiro ou com o dinheiro de um edital público ou privado tem em comum, segundo os próprios artistas, a alternância entre momentos criativos memoráveis e grandes perrengues.

Veteranos de mais de 70 viagens internacionais com suas bandas de jazz e MPB, o baterista Endrigo Bettega diz que uma turnê fora do país exige alto grau de profissionalismo. “A gente sempre leva o nome do país e da cidade aonde vai. A primeira coisa que nos perguntam é de onde somos. Por isso temos o cuidado de não falhar em nada, pessoal e artisticamente”, disse Bettega.

Para Caruso, o mais importante numa turnê abroad é “ se organizar e tomar precauções sobre as leis, costumes do país estrangeiro”. “A gente foi super precavido. Outra coisa é que para ficar tanto tempo juntos vivendo coisas boas e perrengues que sempre os há, é preciso ter uma energia boa circulando”, disse.

O mais importante numa viagem dessas, segundo Iria, é saber qual é o objetivo real da empreitada. “Você quer voltar com currículo mais gordo, alcançar milhares de pessoas, fazer contatos...É preciso ter proposito ou então tudo se perde e vira qualquer coisa. Evapora”.

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