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Animação Carros 3 coloca “millenials” e “tiozões” em choque de gerações

Filme mostra o protagonista Relâmpago McQueen sofrendo ao ser derrotado em uma corrida por um carro mais jovem

  • James Cimino, de San Francisco, especial para a Gazeta do Povo
  • 13/07/2017
  • 11:34
Animação Carros 3 coloca “millenials” e “tiozões” em choque de gerações Animação chegou aos cinemas nesta quinta-feira. Foto: Divulgação.

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais? Ou é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem? Mais que apenas um hino político, a canção “Como Nossos Pais”, de Belchior, é uma metáfora para o choque de gerações, seja entre pais e filhos, seja entre as gerações X, Y e Z, seja numa animação da Pixar.

Chegou nesta quinta-feira (13) aos cinemas brasileiros “Carros 3”, e o mote principal da história é a crise de meia idade que nosso herói Relâmpago McQueen sofre ao ser derrotado em uma corrida por um carro mais jovem e mais potente: Jackson Storm.

Durante lançamento do filme em um evento no autódromo de Sonoma, perto de San Francisco, os produtores do longa falaram que a história é sobre quem já esteve no topo e começa a sentir que seu prazo de validade está vencendo. “Francamente, é algo que sinto também cada vez que um novo artista chega ao estúdio desenhando melhor que eu. Todo mundo tem esse medo da nova geração e esse sentimento de que não servimos mais”, diz o diretor Bryan Fee.

Seria também uma forma de falar da longevidade da franquia? Questionado se o filme poderia chegar a oito sequências, como aquele outro filme de carros, o “Velozes e Furiosos”, Fee deu uma resposta padrão, mas que é sempre repetida por todos os diretores da Pixar: “John Lasseter [chefe de criação da Disney e da Pixar] sempre diz que não vamos fazer um filme cuja história não valha a pena. Então não sei o quanto vai durar.”

Em “Carros 3”, embora sejam três os carros protagonistas, a história da crise existencial de Relâmpago McQueen terá um pano de fundo que é a própria história da fórmula Nascar (ou Stock Car). Ao tentar resgatar seu passado, ele se encontra com personagens inspirados em pilotos reais, como Wendell Scott, o primeiro afro-americano a vencer a corrida; Junior Johnson, ainda vivo, portanto dublou o próprio personagem em inglês e deu consultoria para o filme; e Louise Smith, a primeira mulher a levantar o troféu.

A partir desses encontros, o protagonista passa a reavaliar seu propósito de vida. “O que era importante pra você quando você tinha 20 anos certamente não será importante quando você tiver 45. Passamos por esse processo em que a vida tem um significado novo. Vamos descobrir qual é.”

Millenial

'Propósito' também foi a palavra usada para descrever a segunda ponta do trio de personagens centrais, encabeçado por Jackson Storm. Quem vir o filme, perceberá que ele é um carrão, com design contemporâneo, inspirado nas Lamborghini e Ferraris que circulam pelas ruas de Los Angeles.

Questionados se não ficaram com medo de fazer um antagonista mais interessante visualmente que o protagonista, o diretor explicou que o objetivo de desenhar Storm desse jeito era exatamente fazer McQueen parecer velho.

Mas não é só a beleza externa que define sua personalidade. Storm é, na verdade, um millenial. “Ele pensa que herdou o mundo. Ele acha que o mundo deve algo para ele, porque ele nasceu em uma família de certa classe. E é jovem.”

Há no entanto outro perfil de millenial no filme: Cruz Ramirez, a terceira ponta principal desta história. A personagem latina, que sempre foi menosprezada por ser mulher e que por isso acabou suprimindo seu talento. Sua transformação se passará quando ela e McQueen se cruzarem pela vida.

Durante a entrevista com a Gazeta do Povo, os produtores evitaram rotular a personagem como feminista. Mas nem precisou. Bryan Fee quer mostrar que carros também podem ser um brinquedo de menina depois de ter tentado convencer suas filhas a tocarem guitarra e ouvir delas que “só meninos tocam guitarra”.

“Ali eu percebi o seguinte: elas não veem muitas garotas tocando guitarra. E não é que a sociedade tenha dito isso, mas minhas filhas chegaram a essa conclusão por elas mesmas, que foi o que me deixou ainda mais assustado. Porque elas estão formando seus modelos sem nem perceber. Veja no mundo das corridas. Pouquíssimas mulheres…”

Sim, tudo na Pixar é muito profundo e às vezes trágico, mas os pais não devem se preocupar de ter que levar seus filhos para casa aos prantos porque seu herói foi parar no ferro velho.

“Olha, me toca o coração ver como as crianças se importam com o personagem. Outro dia um garoto me perguntou se o McQueen ia morrer neste filme. E para eles é muito mais que um personagem de um filme que ele assistiu por uma hora e meia. Vai além. Então, não, ele não morre.”

 

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