Quarta, 16 de Maio de 2012
Para não decepcionar os fãs, O Guia Gazeta do Povo resolveu publicar a matéria com as dez melhores perguntas enviadas. No bate-papo pelo telefone, o cantor falou sobre o "emburrecimento" do rock brasileiro, o disco "Sexo" e a possibilidade de tocar o bom rock’n’roll com o velho amigo Roberto Carlos.
Quem adquiriu ingressos para a apresentação deste sábado pode receber a devolução do valor integral ou trocar futuramente por ingressos da nova data. O mesmo se aplica aos ganhadores do concurso cultural “Leitores do Guia Entrevistam Erasmo Carlos”. Os pontos de troca são os quiosques do Disk Ingressos nos shoppings Mueller e Estação.
Leia abaixo a entrevista na íntegra:
Você sobreviveu a diversas manifestações do rock nacional desde a década de 1960. Você acha que hoje o rock brasileiro "emburreceu"? (Enviado pelo leitor Carlos Eduardo Guariente)
Eu diria que sim. Antes, a ditadura era o motivo para a insatisfação geral. Hoje em dia, você precisa procurar assuntos que te causem indignação. Mas é diferente de antigamente, que era uma vontade coletiva. Hoje, os assuntos já estão esmiuçados... Então, acho até natural que haja dispersão.
Seu apelido de "Tremendão" surgiu na época da Jovem Guarda, com maior ênfase durante os anos em que o programa ficou no ar. Depois de anos e muitos shows, você ainda sente o público estremecer? (Enviado pelo leitor Jackson Lima)
Estremecer com o som é uma coisa. O apelido não tem nada a ver. Ele vem da minha grife, que tinha esse nome. Aí ficou meu apelido, que eu gosto muito. O Brasil inteiro me conhece assim. Mas, estremecer com o som, eu sempre fiz. Principalmente agora.
Se você tivesse entrado na vida musical hoje com a idade que começou, faria tudo igual? (Enviado por Luzimar Jorge Marchette)
Pergunta difícil essa de responder, porque a gente não sabe. Como é que eu vou me imaginar se eu estivesse começando hoje? Eu não saberia as coisas que eu sei. O mundo estaria diferente de quando eu comecei. É muito relativo. Eu não me arrependo de nada. Tudo resultou na pessoa que eu sou. Meus erros e acertos. E eu amo a pessoa que eu sou hoje.
E se Erasmo tivesse nascido depois da Jovem Guarda e tivesse hoje 20 anos, que tipo de som faria? ( Enviado por Felipe Souza e Silva)
Ué? O som que todos os caras de 20 anos estão fazendo. Estaria vivendo as mesmas influências dos caras da minha geração. Hoje em dia não há quem não ouça nada. Você está ouvindo na internet, na televisão e na rádio. Vamos para shows e sabemos o que está rolando. Eu ouço. Sou um cara antenado e ouço muito.
Você lançou o disco "Rock’n’Roll" em 2009 e agora, em 2011, lança "Sexo". Podemos esperar um próximo disco sobre drogas para fechar a trilogia? (Enviado por Priscilla Scurupa)
Não faz parte dos meus planos. Essa trilogia é uma trilogia datada de 1960. Quando o mundo vivia isso. A droga era uma comemoração da contracultura, sabe? A droga era uma experiência nova que todos queriam fazer. Hoje já se sabe os efeitos colaterais. Então, não seria mais minha realidade. O sexo é vida. É o ar que você respira. É o alimento que você come. Está na nossa vida sempre. E o rock, para quem é escravo como eu, se mantém para sempre.
Como falar/cantar sobre sexo sem cair na vulgaridade? (Enviado por Priscilla Scurupa)
É uma tênue fronteira entre a vulgaridade e a divindade. Eu acho sexo uma coisa suprema, algo divino. Ele caminha sempre na corda bamba, entre a pornografia e a divindade. Acho que essa fronteira é o bom gosto seu quem tem que dizer. O bom senso e o bom gosto que leva você para um caminho ou para o outro.
Você está com 70 anos e uma carreira de sucesso que se deve, principalmente, por causa da Jovem Guarda. "Sexo" foge dessa fórmula e se arrisca por um caminho de inovação? Qual a fórmula para manter a vontade de fazer algo novo? (Enviado por Priscilla Scurupa)
Não digo "inovador". Vejo (o álbum "Sexo") como uma continuidade. Já tive outros projetos grandes, como o "Projeto Salva Terra" - que é lindo e maravilhoso -, "Pelas Esquinas de Ipanema" e "Mulher". Tenho vários discos bonitos, lindos. Para mim ("Sexo") é a continuidade do meu trabalho. Não tem nada de "nova fase". Não tem uma maturidade que está provocando isso. Estou apenas fazendo o meu trabalho. (O disco) é sempre novo. Cada abordagem que eu faço de um tema é novo. Mas isso quem me inspira é a própria vida. Estou vivendo e sofrendo influência da vida. É dela que tiro meu trabalho. Para mim é inovador porque eu estou fazendo pela primeira vez. Para os outros eu não sei.
Por que sua figura não é tão comum na mídia (programas de tevê e rádio, entre outros). Você se preserva dos flashes ou não abrem espaço para o seu rock? (Enviado por Vanessa Matoso)
Você mesmo está respondendo essa pergunta. Se eu tivesse essa preocupação, eu apareceria muito mais. Os espaços são muito poucos. Os espaços dignos, que tratam o artista como merece. É uma vergonha isso, inclusive. Você dispõe de poucos programas televisivos em que seu trabalho é respeitado. Por isso, não só eu, mas muitos outros artistas, você vê pouco na televisão. Mas, se o cara quisesse, ele estava em tudo. Todo mundo quer o artista, mas aí se é um programa digno é diferente.
Você se sente uma pessoa realizada? (Enviado por Eraldo Bento)
Sim. Como homem eu me sinto. Graças a Deus. Minha família é linda. Tenho meus filhos, meus netos e minhas noras que me amam. Como artista também. Estou estabilizado e realizado. Agora, tem sempre emoções novas que aparecem. Você não imagina e nem faz planos, mas aparecem. Mês passado eu gravei um DVD no Teatro Municipal no Rio com a presença de Roberto Carlos e Marisa Monte - que vai sair no fim do ano. É uma emoção que eu não sabia que ia ter e de repente apareceu. O "Rock in Rio" também apareceu. Estão sempre acontecendo coisas maravilhosas na minha vida. Sou um cara que não pede mais nada para Deus.
Tremendão, o que é que falta para você e Roberto Carlos voltarem a fazer juntos um bom rock n’roll ao vivo? (Enviado por José Renato Hanna)
Não sei, bicho. Depende de um monte de coisas. O Roberto não está a fim de fazer rock n’ roll. Ele é romântico. Ele está lá em Israel cantando para Jesus Cristo. Ele não quer saber de rock n’ roll.